Café é a segunda bebida mais consumida pelos brasileiros, perdendo apenas para a água – segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Café em parceria com o Consórcio Pesquisa Café. O levantamento, realizado entre novembro de 2013 e outubro de 2014, foi divulgado apenas este ano.

Sim, é fato que, independente das xícaras entornadas, o café realmente faz parte de nossa rotina. Seja um copo americano de manhãzinha na padoca, seja naquele date agendado em uma cafeteria descolada.

Como temos hábito de beber café quentinho, conforme se aproxima o verão as pessoas tendem a trocar o cafezinho por outra bebida. Pensando nisso, o barista Edgar Martins, conhecido como Dga, desenvolveu duas versões exclusivas, geladinhas e refrescantes, do nosso tão adorado café.

Premiado nacional e internacionalmente, Dga compartilha a receita de um café cremoso com laranja e de um cappuccino gelado. Para ambas as receitas, a base é a mesma, um café coado preparado com 20g de café de sua preferência (sua indicação são por grãos especiais, acima de 80 pontos, que garantem uma bebida forte e encorpada que será diluída e suavizada no preparo) e 150ml de água (filtrada ou mineral) fervendo. Este café será o ingrediente principal para os dois passo a passo. Escolha seu favorito ou prove ambos!

Café Cremoso com Laranja 

150 ml de café coado (coado de base)
50 ml de suco de laranja (natural)
5 pedras de gelo

Bata todos os ingredientes no liquidificador, em velocidade máxima, por ao menos 30 segundos. O café ficará bem cremoso e com toque de laranja.

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 Cappuccino Gelado 

100 ml de café (coado de base)
100 ml de leite gelado
1 colher de sopa de açúcar

Bata todos os ingredientes em uma coqueteleira, mexendo bem e com constância por cerca de 30 segundos. Sirva imediatamente para não perder a cremosidade.

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Sobre Edgar Martins 

Aos 31 anos, Edgar Martins é um dos principais baristas brasileiros – sendo premiado aqui e no exterior. Nascido em Piracaia, interior de São Paulo, e baseado na capital há 12 anos, trabalhar com café foi algo que aconteceu ao acaso.

Durante a infância e adolescência, adorava o cafezinho da tarde, momento que se reunia com a família à mesma para comer, beber e jogar conversa fora. À época, porém, seus conhecimentos sobre o assunto eram nulos e o que importava era uma xícara quentinha e açucarada de café.

Uma vez que em sua cidade natal não havia muitas cafeterias, toda vez que viajava cafés faziam parte do roteiro. Dga, como é chamado, adorava – e ainda gosta de – frequentar cafeterias, pelo ambiente descontraído e rico em aromas, algo eu considera extremamente aconchegante.

Profissionalmente, já em São Paulo, seguia carreira no setor de gestão. Por cinco anos, inclusive, foi gerente de uma das filiais do restaurante italiano Piola. Mesmo gostando do trabalho, chegou uma hora na qual se sentiu saturado e decidiu respirar novos ares.

E foi ai que chegou ao Urbe, café onde trabalha até hoje. Era esse seu lugar favorito na cidade e ao saber que havia uma vaga para integrar o time, decidiu arriscar e há dois anos e meio faz parte da equipe da casa.

De lá pra cá, sua maior dedicação é estudar sobre cafés. Já fez cursos de barista nos mais diversos níveis: degustação, equalização de paladar, teste com métodos, torra e afins. Conta, inclusive, com uma tutora – a também barista Georgia Franco de Souza, há treze anos no comando do Lucca Cafés, em Curitiba.

Sempre que possível, Dga viaja para a cidade e aprimorar ainda mais seus conhecimentos. Hoje, sua rotina inclui dez horas diárias dedicadas exclusivamente ao café – seja trabalhando, estudando ou ministrando workshops.

Tanto esforço não é em vão. Em 2015 foi convidado a participar do 1º Campeonato Brasileiro de Aeropress, realizado em março. Venceu por unanimidade e seguiu rumo a Seattle, nos Estados Unidos, para concorrer o mundial World AeroPress Championship. Sua intenção era apenas passar na primeira fase e saber que estava seguindo pelo caminho certo, mas no fim das contas, levou o segundo lugar.

Representar o Brasil no exterior e ser tão prestigiado pelos gringos mudou sua carreia da água para o vinho, garantindo maior reconhecimento em território nacional e internacional. Tal recognição, porém, não fez com que se acomodasse, muito pelo contrário.

Maior o reconhecimento, maior a pressão e a vontade de fazer um café cada vez melhor. Uma vez que o café é a segunda bebida mais consumida do mundo – atrás apenas da água – Dga não acredita que exista alguém que não goste de café.

‘Café é essencial na vida das pessoas. Costumo dizer que quem diz não gostar é porque não tem conhecimento sobre um bom café e suas variedades. O café especial é muito diferente do tradicional, que estamos acostumados a consumir’, explica Dga.

Dentre os planos futuros, sonha em escrever um livro voltado ao ambiente das cafeterias – um lugar quase mágico, segundo ele. Outra vontade é aliar o café a sua outra paixão: a bicicleta. Um bikecafé também não está fora de cogitação para o moço.

Quando não está trabalhando ou estudando, gosta de pedalar por ai à toa, em busca de novas cafeterias, é claro e frequentar restaurantes .  Na profissão, o que mais lhe encanta é poder fazer o que ama, ver as pessoas felizes e sorridentes experimentando suas xícaras é algo místico para ele, ‘o amor acontecendo’.

  • Por Rodolfo Faraoni

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