O que acontece quando o gosto pela ciência e o amor pelo café se unem? Em busca pela fórmula do fruto perfeito, o engenheiro agrônomo Lima Deleon começou a se debruçar sobre um pequeno talião na propriedade de café de sua família e a usar todo o seu conhecimento técnico e científico para produzir um microlote diferenciado. É no Sítio Terra Alta, na região da Serra do Caparó, Espírito Santo, que ele conduz seus experimentos científicos. Em meio a números, equações e estudos, o resultado final impressiona!

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Fazendo a lição de casa

Lima é a quarta geração de uma linhagem de cafeicultores imigrantes da Itália. Foi seu bisavó que começou com o cultivo do café, tradição que foi passada para o avô e para o pai. O sítio foi crescendo, a ponto de produzir mais de 1500 sacas por safra. Isso possibilitou que Lima pudesse ter uma educação voltada para a agronomia, inclusive com doutorado em Clima fora do país.

 

“Apliquei meus conhecimentos técnicos ao cultivo do café, um assunto com o qual já tinha bastante afinidade. Entendo que a planta é como um motor para um mecânico ou um organismo para um médico.”

– explica Lima.

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Resolvendo a equação

De volta às terras capixabas, foi uma questão de tempo até que a aplicabilidade da ciência começasse a dar frutos – literalmente, frutos maravilhosos. O Catuaí 44 cultivado no sítio fica num talião específico no qual o florescimento é tardio. Sombreado por eucaliptos, os frutos são expostos a longos períodos sem luz e apenas quatro horas de sol – isso porque, além da sombra, a florada acontece em um momento no qual as noites são naturalmente mais longas no Caparaó.

Se você não entendeu, a gente explica. Os pés de café desse microlote sofrem pouco estresse climático. Além de sombra, têm água fresca e não ficam expostos aos danos que os raios solares podem causar. O resultado é um grão equilibrado, de maturação total e completamente uniforme, sem excesso de açúcares e minerais. Não é magia, é tecnologia, como explica Lima:

 

“Com ajuda da tecnologia, nós fazemos várias medições climáticas e buscamos um ambiente linear para que o café tenha um sabor diferenciado. Até conseguirmos o resultado que achamos satisfatório, realizamos alguns testes no manejo.”

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Compartilhando o conhecimento

A tecnologia já está chegando ao mundo dos cafés especiais e pode ajudar muito a produzir melhores safras. Lima já participou de palestras e debates no Coletivo Café, em Venda Nova do Imigrante, e transmite generosamente a outros produtores um pouco do seu conhecimento sobre clima aplicado à agricultura. Nessas ocasiões, ele sempre lembra que é preciso adequar o cultivo ao excesso climático das regiões montanhosas, e que a ciência e a tecnologia são ferramentas que podem ser usadas a favor de todos.

 

“Eu tive um professor que me dizia que o conhecimento só é realmente valioso quando aproxima as pessoas. Por isso, eu procuro de maneira bem didática retransmitir os conceitos que aprendi a qualquer pessoa que tenha curiosidade sobre o assunto.”

– conta Lima.

 

Na xícara, nota 10!

Tanta ciência, tanta tecnologia, tantos cálculos, tantas variáveis… Mas e a prova final ali na xícara? Não precisa ser catedrático para entender esse café, basta sentir o sabor na boca: o resultado é uma bebida que não tem doçura acentuada, e sim persistente. Também não possui uma acidez elevada, e sim equilibrada. Praticamente um café aveludado, harmonioso, com corpo, mas sem excessos ou faltas.

 

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Tire suas próprias conclusões com o nosso café do mês agosto. E depois volte aqui para nos dizer que nota ele tirou na sua avaliação.

 

Quer receber esse e outros cafés incríveis em sua casa? 

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Eduardo Frota-perfil

Eduardo Frota é jornalista, barista e apaixonado por café

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