Já passava de oito horas da noite quando Antonio Oliveira e sua mãe, Dona Sebastiana, puderam atender o telefone para conversar sobre o café deste mês na seleção do Have a Coffee – é que eles estavam, justamente, trabalhando para deixar seus grãos impecáveis.

 – A gente trabalha na lavoura bem cedo. Café tem que mexer de meia em meia-hora. É que nem cuidar de um filho – ensina Dona Sebastiana.

O Sítio Moinho Grande, na parte mineira da Serra do Caparaó, começou a produzir café em 1986, ano em que a Dona Sebastiana ficou viúva, aos 36 anos. Acostumada desde criança ao trabalho no campo, aceitou plantar algumas sementes doadas por um irmão. No entanto, foi somente a partir de 2012 que a produção de café especial ficou séria, contando com o suor e o amor de toda a sua família.

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– Sabíamos que a nossa propriedade tinha potencial para a produção de cafés especiais. Por aqui, todo mundo se ajuda e transmite o conhecimento que tem. Investimos e, em pouco tempo, fomos chamados para participar de concursos. Daí pra frente, foi tudo muito rápido. Ganhamos prêmios importantes – conta Antonio.

Mais que prêmios, reconhecimento

 O troféu mais importante veio ano passado, num evento em Juiz de Fora, quando o café do Sítio Moinho Grande ganhou o primeiro lugar das Matas de Minas e, para surpresa da família Oliveira, do estado também. No entanto, o melhor ficou para o final: Dona Sebastiana foi eleita a Mulher Empreendedora do Mundo do Café. Ela se diverte contando os momentos que antecederam a premiação:

 

– O pessoal já sabia que eu havia sido escolhida, mas não disseram nada. Aí, vinham a toda hora me perguntar se estava tudo bem, se eu estava me sentindo tranquila… Tinham medo que eu passasse mal na hora em que anunciassem meu nome!

Bora beber?

O catuaí vermelho que os assinantes do Have a Coffee vão provar foi cultivado com todo o cuidado por Antonio, sua mãe e os demais familiares. É cultivado a 1.230 metros de altitude, num talhão que fica muito próximo da mata e, por isso, recebe bastante sombra. Assim, a maturação do fruto é mais lenta, o que faz com que o grão absorva o máximo de doçura.

O resultado na xícara – ou caneca, daquelas bem grandes – é uma bebida elegante, com notas de baunilha e caldo de cana. Antonio adora quando entrega um bom trabalho:

 

– Esse café foi feito com muito carinho. Nossa intenção é que ele chegue o melhor possível à mesa das pessoas. E que elas, depois de experimentarem, queiram beber mais.

A gente tem certeza que elas vão querer repetir esse cafezaço, Antonio!

 sebastiana e antonio oliveira 


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Eduardo Frota-perfil

Eduardo Frota é jornalista, barista e apaixonado por café

 

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