Mais amor, por favor – e uma xícara de café também. Para colhermos mais tolerância, respeito, humanismo e afetividade em tempos difíceis, o plantio pode começar pela semente do nosso fruto preferido.  Uma iniciativa superbacana está sugerida no cardápio de uma das melhores cafeterias do país, a Academia do Café, que desde maio deste ano ampliou sua operação com uma filial em São Paulo. Chama-se #cafécompartilhado. E a ideia é justamente espalhar mais amor por aí.

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O café compartilhado foi inspirado no livro “The hanging coffee”, do escritor tcheco Jan Burian. Nele, um homem entra numa cafeteria e pede um café. Na hora de acertar a conta, paga dois: o que ele tomou e outro para o próximo cliente. Assim cunhou-se o termo, que por aqui já ficou conhecido também como café pendente e café do próximo.

No livro de Burian, o ato é uma demonstração de altruísmo, uma vez que o personagem principal deixa o café pago para que alguém sem condições financeiras também possa pedir a bebida e se aquecer do frio excruciante que faz em Praga, na República Tcheca, cenário da obra. Na Academia do Café, o termo extrapola a questão financeira e fortalece um lema que a cafeteria segue com afinco, estampado até mesmo em suas paredes:

 

“Gentileza gera gentileza”

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“A ideia é gerar uma corrente do bem pelo café, uma bebida que é agregadora por natureza. Ao deixar uma xícara paga para alguém desconhecido, o cliente também deixa um recado inspirador para, quem sabe, alegrar e aquecer o dia de alguém que esteja precisando de conforto.”

– explica Renato Gyotoko, um dos sócios da Academia do Café.

 

Ele conta que a adesão à ideia vem crescendo, assim como a quantidade de boas histórias sobre o efeito – tanto da cafeína, quanto das mensagens:

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“Podemos acompanhar pelas redes sociais a quantidade de pessoas que participam do café compartilhado.  Aqui na cafeteria há um morador de rua que vem tomar a sua xícara todos os dias. Muitos clientes, inclusive, já deixam pagos outros itens do cardápio, como bolos e pães de queijo.”

 

Quanto mais cafeterias e clientes adotarem a prática, melhor. A ação nunca foi patenteada – e nem deve ser. Uma vez que a cultura do café tem o poder de aproximar as pessoas, a iniciativa deve ser cada vez mais difundida.

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Vale a pena entrar nessa brincadeira. Pedir um café e ganhar palavras inspiradoras faz com que, muito naturalmente, você tenha vontade de retribuir o carinho recebido. Sábias palavras do Profeta Gentileza…

 

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O Have a Coffee apoia essa ideia!

 

Eduardo Frota-perfil

Eduardo Frota é jornalista, barista e apaixonado por café